quarta-feira, 25 de maio de 2011


Já despida, ligo o chuveiro, molho as pontas dos dedos dos pés, sinto frio.Logo penso em correr e vestir-me mas, algo me diz que devo permanecer ali,congelando, sentindo a frieza da pior forma e sem fazer nada, apenas suportando-a. Levanto a cabeça e abro a boca em direção a água que cai, engulo-a, engasgo-me e gosto, volto a repetir o ato.Essa água clorada tem o gosto um tanto que ruim mas, bebo-a assim mesmo.Meu banheiro faz um eco sensível, bonito, e me excita a gritar, então penso no que estou sentindo e subitamente dou um grito estranho, sem sentido mas, com significância e desabafo, foi um grito de dor que estava preso, escondido. Em seguida começo a rir, rir da situação em que me encontro, de toda coesão que passou a existir aqui dentro desse cubo fechado. Pego a toalha, ainda úmida da chuva passada, e me enrolo.Saiu do banheiro de pontinha de pé pois o piso liso e frio se tornam inimigos.Quando chego ao quarto propositalmente deixo a toalha cair, vou pra frente do espelho e me observo, acho todas as minhas formas curiosas, e me vem o prazer quando me toco,quando me sinto, quando não imponho limites a mim mesma quando se trata de meu corpo. Me acho bonita nua, satisfazo-me com o que vejo, toco, apalpo, esfrego. Depois de alguns minutos a me observar, a ver a pureza e ao mesmo tempo a insanidade, volto a ter surtos e acendo um cigarro .


                                               ( Jacilene Macêdo Oliveira )



Um comentário:

  1. essa minha amiga tem um DOM ela sabe usar as palavras com muitaa propriedade !!! muitooo bom e so tende a melhorar. se as palavras tem poder você tem o poder. *-*

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