É, não há mais nada a fazer a não ser me acostumar. Me acostumar nessa cama que parece ser feita de plumas com esse edredon perfumado e esse teto de vidro onde posso observar calmamente as estrelas. Na cabeceira da cama se concentra um avançado aparelho de som onde minhas transas de perfeita pratica vão soando umas canções contemporâneas que deixam todos os meus atos completamente sem sentidos, prazer e emoção.
O rosto do meu parceiro é bonito, fino.tem as formas certas de ponta a ponta. No seu corpo há uma pequena porção de pêlos, coisa que a um tempo atrás me dava nojo só de ver hoje até toco, sinto.Todas as noites vou dormir ouvindo fortes roncos e por vezes horrendos aromas. Sou obrigada a assumir que preferia aquele tempo em que eu dormia com aquele caboclo ignorante, naquela cama dura, com um lençol meio amarelado e com o seu cheiro de suor.O teto não era de vidro e sim de telhas que aliáz já estavam bem velhas. Usávamos um rádio com resíduos ainda de poeira do depósito e escutávamos Blackened que até então não passava de uma bandinha de garagem.As músicas fluíam na mesma velocidade que o prazer se fazia exato, aí sim o orgasmo ganhava vez e minha insanidade estaria no topo.
Não me frustava em ver seu rosto feio todos os dias, afinal, beleza exterior nunca foi de muita importância pra mim, sem falar que também nunca foi meu ponto forte. Gostava do seu corpo depilado, sabe aquele corpinho liso, pois é, é esse que me atrai e no banho facilitava o deslizamento da minha mão sobre ele.
Tudo o que eu disse que "preferia" eu já vivi e com esse caboclo num passado meio distante e poderia estar vivendo até hoje nesse inconstante presente mas, optei pela insignificante forma de costumar-me com o novo e com o que aparentemente seria melhor pra mim. E só pra me arrepender mais, nas minhas noites depois de um ato de prazer ou não eu não era deixada de lado e minhas companhias não eram os roncos e horrendos aromas e sim ecos de frases que ele me dizia do tipo " eu te amo ", "você foi ótima ".
Queria voltar ao meu tempo de Plebeia, e quem sabe ser mais feliz !
( Jacilene Macêdo Oliveira )

Nenhum comentário:
Postar um comentário